Sábado, Maio 30, 2009

De morte

Meu almoço...
Comi uns cigarros
Minha ansiedade tinha fome
A janela grande, era entreaberta
Como olhos pequenos de sono
E o inverno assustador com sua mão gelada
A me tocar nos pés
Um arrepio incauto
- como aquele que se deita de paletó preto e pés descalços -
A preencher vazios
A delinear a noite
Com passadas esparsas
Nos ferozes tragos na cachaça
Pilão esfacelante dos pesares de meu pensamento

Oh morte devassa

Quarta-feira, Maio 27, 2009

Para ti...

Essa pele morena do sol de angola
És tu serena que a paz me invade
Flui pelo dorso
Em mim escorre
Desaba-me, desdobra
És delicada nas tuas mãos pequenas
Do artista com a forma, arqueou-se o sorriso
Bonito isso
Esplendorosa

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Vão de palavra

Busco música
No sopro que sai de minha boca
Nas palavras então...
La canción
E no desenho da língua
Se vão
Na grafia bordada
Com agulhas em vai-e-vem
O encaixe perfeito do amor
O cordão de estrelas semeadas no céu
O que é vão...
São palavras meu bem

Sexta-feira, Maio 22, 2009

Raiva

A raiva
Corrói
Destrói
Machuca
Dói
E mata
Emociona, se descobre
Que o travesseiro...
Não se dorme, pois quando sim o soca

Quarta-feira, Maio 20, 2009

Só um poeta

Minha vontade é transcrever aqui minha saudade
E enviar-lhe, como uma carta
A mais sincera
Mas talvez não seja eu um carinhoso...
Só um poeta

Terça-feira, Maio 19, 2009

Vertigem

Quarta-feira, Maio 13, 2009

A escola

Eu me sinto calado
Como quando nos tapam a boca
E chega a faltar a respiração

Me torno um algo indigno
De tamanha a minha indignação
O peito dói apertado
À triste lança de um pobre soldado
Que pode tanto, coitado
Sumbetido a seu general

Que verdade é essa
Que só assistimos em peças
Nas lindas novelas
Com vilões impiedosos
Que se arrependem e choram
Frente a um movimento que é tão popular

Se derramar-mos flores por todas entradas
Dirão os diretores
Que só atrapalhará
Mais uma vez a escola, papel, social

Recolho então as flores
Enclausuradas com os frios desgostos
Nos blocos tristes de tijolo
E que assim então será...

Terça-feira, Maio 12, 2009

Oração de São Francisco de Assis

Senhor!
Fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
Consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Domingo, Maio 10, 2009

Divago-o

Agente corria
Pirilampiando os vazios e tôrtos - substâncialismos - entre as pedras
O espaço era limitado
Mas era enorme corrida aberta

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Sair à dois

A noite se foi
E ficou a madrugada
Andando sozinha pela noite
A madrugada bateu em nossa porta
E implorou que acompanhássemos
E nós saímos a acendê-la como o eclipse
E sobre ela nos abraçamos e giramos
Ao som dos nossos corações
E à dança de nossos pulsos
Pulsos acelerados
Tambores daquela dança
Envolta por pernas e braços
Laçada por beijos e abraços

Lancinante

Tome-me dos pés à cabeça
Como taça de vinho
E assim me embriagarei também

Quarta-feira, Maio 06, 2009

Teu nome

É bacana que...
Já na escada
As pernas tremiam. Junto com a face, em sorrisos

O cheiro de brisa invadia, mas já nela - do elevador à saleta de espera
Do olho mágico me via
És Graciosa

Terça-feira, Maio 05, 2009

Poesia

É a poesia
Um pensamento tão sentimental
Que não pode ser do consciente
O sentimento
Apenas se sente