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E pela brisa famélica da noite
Vão os brasões dos meninos
Que sentam-se à varanda
Com a reles desculpa nas tragadas de seus cigarros
A fixar-sem no vago
A imaginarem as histórias que neles existem
E depois, como soldados de guerras distantes
Se levantam e dormem
Sem dizerem uma só palavra
Como fazem aqueles que a alguém mataram
E se arrependeram
Sem ao menos desesperarem-se
O homem azul invisível
Moldado a lágrimas e risos
Forjado à esperança e saudade
Amanhece nos ulteriores primórdios do dia
Dorme na mais extrema madrugadaEm prosa
Solitário marujo do navio sem textura
A rebocar aquelas nuvens pelo céuEle habita o horizonte
E mais...
O nada
Piedade, faminto
Vejo o menu e cuspo na comida
Piedade, quebrador de pedras
Acho ganhar muito pouco
Tende piedade de mim
Piedade, mendigo
Desprezo-te todos dias naquela calçada
Piedade, mulheres dos classificados
Pois as chamo de putas
Tende piedade de mim
Piedade, maluco
Atribuo a ti a loucura
Piedade, drogado
Pois lhe julgo covarde
Tende piedade de mim
Piedade, assassino
Quero pendurá-lo na corda
Piedade, ladrão
Roubo troco no bar ao lado
Tende piedade de mim
Piedade, funkeiros do morro
Pois chego a achar-lhes perigosos
Piedade, analfabeto
Tiro eu por tão sábio
Tende piedade de mim
Tende piedade de mim
Tende piedade de mim
Tende piedade de nós
E que tirem-me do pântano
E me lavem a lama impregnada