Terça-feira, Dezembro 25, 2007

Vou pro mar




Os dias na selva de pedra acabaram


Vou pro mar


Engavetar as máquinas


Parar as engrenagens e me libertar


A cabeça, o coração e o espírito


Vou pro mar

Sábado, Dezembro 22, 2007


Obrigado minha amiga...
Mas como ser feliz
Se o feliz é você...

Sexta-feira, Dezembro 21, 2007

Brilho ácido!



Quando é noite,

Após a chuva cintilante

A grama verde, brilha

Cantando o som das raízes

Rompendo a terra, buscando a lua

As manchas brancas na parede

Se movimentam colorindo

De branco, um tecido de renda

Enquanto o sapo sente a terra

As luzes estão mais claras

Clareando seu pensamento

O olho aberto, inerte

Brilho ácido

É tão bonito, a vida surgindo

Se transformando, a cada segundo

Num piscar de olhos

A rua dormindo, chão de prata

A chuva lavou, os musgos acoradaram

Saíram entre as pedras

Espreguiçando seus galhos

É tudo muito mágico

As fadas criaram

A vida as criou

O universo é mágico

Uma vila de insetos

Insetos que falam

Voam, andam e olham nos olhos

Nos olhos daqueles que estão do outro lado

Encantados pelo brilho ácido!

Quarta-feira, Dezembro 19, 2007

Volúpia


No divino impudor da mocidade,

Nesse êxtase pagão que vence a sorte,

Num frémito vibrante de ansiedade,

Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade...

A nuvem que arrastou o vento norte...-

Meu corpo!

Trago nele um vinho forte:

Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço...

São os dedos do sol quando te abraço,

Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos

Vão-te envolvendo em círculos dantescos

Felinamente, em voluptuosas danças...


(Florbela Espanca)

Domingo, Dezembro 16, 2007

A beleza do desejo


Teu olá faz bem

O meu corpo é quente

Posso te dar meu sorriso

Pois tenho o seu em lembranças

Daqueles dias

Em que olhares se esbarravam

Em que lábios trêmulos

Balbuciavam palavras desajeitadas
Atraídos pela beleza do desejo

O pensamento desejava

Questionava, deslocava e desejava

Desejava e mais nada

Sexta-feira, Dezembro 14, 2007

À Kombi


A kombi nasceu, em 1950, batizada, em alemão, de kombinationfahrzeug, ou seja, veículo de uso combinado (tanto para trabalho como para passageiros). Começou a circular no Brasil em 1953 e seu sucesso foi tão grande que motivou a Volkswagen a abrir aqui sua filial. Sim, senhor, a Kombi foi o primeiro veículo produzido pela Volkswagen no Brasil, único país a manter sua fabricação no século XXI. (Fonte: pesquisa da grande Lilian)

Acenda a luz


Eu quero estar perto

Dos dias, dos meses, dos anos

Estou longe do tempo

Relendo cartas

Revendo filmes

Cinema mudo

Sem brilho, no escuro

Alguém... ouça meu pranto

E acenda a luz

Quando falo, me calo


Mais uma vez, chove

Penso nas pessoas

Penso nas mulheres

Ajeito minha roupa

Há uns tantos sorrisos

Está difícil encontrá-los

É grande a multidão

Tem carros que passam depressa

Me causam depressão

O som da chuva na terra

Isso é bom

Mais cedo, mais tarde

Virá o sol

Talvez me cure

Ou talvez me doa

Palavras de ajuda como placas na estrada

Vá em frente, ultrapasse

Na minha mesa olhando a chuva

Não sinto nada, flutuando no vácuo

Superficial, deve ser assim no espaço

Me perguntam e não digo nada

Quando falo, me calo

Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Fora daqui...


Pessoas me dizem:

_Não fume aqui
_Não coma aqui
_Não pense aqui


_*Sim senhores,
_*Mas pensar é o que mais gosto em mim


_Não é preciso gostar de si
_É assim...
_Vivemos... bem
_Bem aqui, bem assim, todos os dias e pra sempre


_*Então viverei lá fora
_E até quando?

_*Até quando eu lá estiver

Sábado, Dezembro 08, 2007


Eu peço à arte

Eu peço à poesia

Eu peço à natureza

Eu peço à Deus

Eu peço ao tempo

Eu peço a mim mesmo

Um pouco mais de inspiração




Terça-feira, Dezembro 04, 2007

Quando os homens podiam voar


Brisa leve passageira

Eu correndo a tarde inteira num quintal

Num quintal... num quintal

Superfície pra explorar

Muros para escalar

E no final...

Vou voar

Sem camisa e pé no chão

Ele dorme com seu barrigão

Dorme em paz

Até mais...

Tem casas que passei

Que ainda passo por lá

A velha que beijei

Hoje eu não posso beijar

O pé de goiabeira que subia pra voar

Super homem no varal

Uma capa de lençol

E um pincel

Um cristal

Na grama que pisei

Me perdoei por pisar

Da G do Jiló verde

Não dormia sem rezar

Lembro de quando os homens
Podiam voar

Sábado, Dezembro 01, 2007

Jardim Secreto


O fruto, apodrece
Não empobrecerei a pensar meu futuro
Presente, brilho complexo
Perfeito esclarecido
Dança do tempo, inadivinháveis espaços
Sol da manhã, novo eterno
Viajante da hora quando não é mais claro
Quando prata reflete nos olhos das sereias
Quando a morte adormece
Quando a vida acorda
Pra estar viva outro dia
Estou no que sinto
Na flauta mansa e rouca...
Os seres mágicos se encantam
Notas diferentes
Minha amiga serpente
Pele bonita, não amaldiçoou suas mandíbulas
Fruto doce, divino
Chamados da terra prometida
Doura o sol da partilha
Doura a paz... está tão linda
Na floresta habita
O que vive escondido
Jardim secreto



Homenagem a Silvia por pensamentos traduzidos)