Domingo, Outubro 28, 2007




De tédio minha tarde se esvai


De tempo abafado


Sol rachando na telha


Falta vontade pra Tv


Pra cantar, pra comer


Uma poesia rompe a terra rachada


Procurando florescer


É difícil pensar, está difícil escrever


Qualquer som me distrai


Nenhum som me entretêm


Um cigarro convém


Todo sono faz bem


Ouvi violinos entre lados


Paralelos gritos psicodélicos


Vida em Marte?


Aqui na terra está chato


Vou me mudar desse mundo


Um papel igual de cigarro


Boto fogo na passagem


Vou pro mundo da lua

Sexta-feira, Outubro 26, 2007

Brasília!


Me sentindo um pouco de pedra

Tal lugar fez-me sensibilizar

Uma cúpula gigante

Duas torres cúmplices

Um santuário submerso

Um planeta enterrado

Um lago de pedras

Um rio de ouro

No meio do nada

Justiça e trabalho

Em breve terão sua glória


Hasta la revolución!

Hasta la victoria siempre!


Domingo, Outubro 21, 2007

Leve Desespero - Capital Inicial (pintura: O Grito - Edvard Munch)


Eu não consigo mais me concentrar


Eu vou tentar alguma coisa para melhorar


É importante, todos me dizem


Mas nada me acontece como eu queria


Estou perdido, sei que estou


Cego para assuntos banais


Problemas do cotidiano


Eu já não sei como resolver


Sob um leve desespero


Que me leva, que me leva daqui


Então é outra noite num bar


Um copo atrás do outro


Procuro trocados no meu bolso


Dá pra me arrumar um cigarro?


Eu não consigo mais me concentrar


Eu vou tentar alguma coisa para melhorar


Já estou vendo TV como companhia


Sob um leve desespero


Que me leva, que me leva daqui


Talvez se você entendesse


O que está acontecendo


Poderia me explicar


Eu não saio do meu canto


As paredes me impedem


Eu só queria me divertir


As paredes me impedem


Eu já estou vendo TV como companhia


Sob um leve desespero


Que me leva, que me leva daqui


Sob um leve desespero


Que me leva, que me leva daqui


Há um belo par de pernas em minha cama

Mas meu leve desespero se recusa a agarrar

De tantas coisas, de que adianta

Se há tanta coisa a se explicar...

Se o que eu faço já não é certo

Se meu amor não pôde esperar

Para um poeta o "amar" é eterno

E numa transa falei mentiras

O nosso prazer me faz mentir que amo

Peço desculpas mas dessa vez não dá

Não sei se amo ou se tenho medo

Mas dessa vez vou vestir minha roupa e tomar um banho

E vou parar pra pensar

Meu amor não pode mentir pra transar

Não quero ser o cretino da tua vida

Pra mim, acho que hoje não dá

Quinta-feira, Outubro 18, 2007


Apaixonou-se...

É normal ser diferente

Paz e amor!

Terça-feira, Outubro 16, 2007


Há uma droga que me consome

Há uma droga que consome você

Há uma droga que me consome
Há uma droga que consome você




O desejo...

O pensamento...

O sentimento...




Vejo minha vida

Numa tela de cinema

Pra quem eu pago o bilhete?

Não tem bilhete

É sentar e ver o filme




Não quero voltar

Não quero que volte

Não quero voltar

Não quero que volte




O que há com o que?

De repende...

O aconteceu será dependente do que acontece



O futuro vem depois do presente

Presente que vem dos Deuses



Dionísio, quão vulgar é você

Segunda-feira, Outubro 15, 2007


Por que é tão hipócrita?

Os loucos não são!

Por que é tão normal?

Por que pregou teu evangelho e fez campanha pra mim?

É tudo mentira!

Não vou tocar no assunto

Continue, parada de boca aberta

Enquanto o mundo, a vida passa

Tão normal e sem graça

Cheia de noites sem dormir

Atordoadas por sintomas da hipocrisia

As pessoas são inacessíveis quando querem mentir

Mais uma de amor...

Não toque o sino pra eu acordar

Estou fingindo estar dormindo

Embreagado, inconsciente e desacordado

Estou vendo tu partir

Pode ir, vou fungir que não vejo

Olhos meio fechados, entreabertos

O mundo lá fora é maior

Nada de mim vai ter lá fora

Me tranquei numa caixa

Saio só pra ver o sol

Mais uma noite e eu durmo esperando

Esperando para ver o sol...

Quarta-feira, Outubro 10, 2007


Quando é possível olhar o que está submerso
Quando se vê demais
Se sabe mais sobre a realidade

Conhece mais o que é verdade

Porém a verdade é uma bala perdida no meio da multidão...

Pronta pra acertar alguém

Terça-feira, Outubro 09, 2007

Eu, Ela e meu violão!


Domingo, Outubro 07, 2007

A luz

Tiê clipe - O astronauta e a bailarina

Sábado, Outubro 06, 2007


A noite está tão linda

Ao mesmo tão distante

Qual a parte que me toca?

Linda ou distante?

Linda e distante

Não pense que são lágrimas,

São pensamentos vagos

Voando pra estrela que se esconde atrás das nuvens escuras

Pensamentos vagos voando por aí

Que não dizem nada

Eles não dizem nada

Não estou mal

Só um pouco triste

Tentei remediar, não deu

Acontece às vezes, da gente ficar triste

Acontece...

E amanhã vai estar tudo bem

Tem que estar

É difícil compreender

Vou dormir, já é tarde

Amanhã vai estar tudo bem

Vou dormir...

Você marcha, Homem Branco! Homem Branco, Pra onde?



Como andarilho na rua
Alma penada abatida
A luz me mostra a saída
O escuro não me deixa ver nada

Não faz frio, nem calor

Não chove, nem venta

Como o xamã que com seu vigor

velou pelos viajantes na tormenta,

que cairam por terra

Mas nenhuma tarde desabou

Caiu suave e lenta

O sangue lavou as ruas

O cactus está fermentado

_ Homem branco! quem é você?

_ Acha que sabe, pensa que tem poder?

_ Não sabe nada

_ É fraco! espírito imundo

_ Levante-se homem branco

_ A tribo ainda o quer

_ Liberte-se

_ Se faça viver

Aí está meu toten que surge em fogo mágico

Qual a cor desta noite?

Atravessarei um oceano sem barco

Meu peito está preparado

A fome do animal protegerá essa tribo

Chamem os lobos, minha origem...

Do mal e do bem

Esta tribo, sou parte da terra

Do círculo de fogo no qual me forgei

_ Agora vá homem
_ Faça cumprir sua caçada

_ Retorne a tribo

_ O guerreiro luta com o coração

_ Nele carrega o leão

_ Judah o envia, liberte esse povo

_ liberte sua tribo

_Vá homem branco, se escolha escolhido!

Terça-feira, Outubro 02, 2007


Há um sorriso que sorri pra mim

Com a alma gritando

De mil raios de luz

Todas as cores são poucas pra essa luz

E a incerteza que me vem

De tão poucas evidencias

Você erra e eu também

Me tolera e eu tolero

Um caso sem crime

Mero acaso meu amor

Perdido em deserto

Errei a estrada

Mas pra onde vou também não sei

Há poesia, tem melodia

Não sei o que acontece

Meu eu já não me conhece

De tão poucas evidências

Escurece a noite

E quando vem o dia

São mil pensamentos pra falar depois

Não são as palavras que vão dizer

Enquanto isso permaneço em silêncio

Solucionando um caso sem crime

Nadando em terra firme

E pescando as flores mais lindas do deserto

Assim como é esse amor

Segunda-feira, Outubro 01, 2007

E agora José? - Carlos Drummond de Andrade


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?
E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?